quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Escoteiros em Muaná


Ser escoteiro é bom demais! Agente acaba pegando um espírito de aventura e praticidade ferrenhos. Estar num ambiente diferente, onde se tem que adaptar a tudo e a todos é colocar em pratica o que se aprende nas atividades do grupo escoteiro.

Ultimamente temos cozinhado em casa, pois cansamos de comer no único restaurante da cidade (na verdade tem mais dois, mas não estão funcionando). O pior é que lá se serve a mesma comida todos os dias, variando apenas a carne. Como não temos fogão em casa ainda, resolvi montar uma espécie de fogareiro com latinhas e álcool. E ficou melhor que fogão (uma foto em anexo). Dá aquele prazer de preparar comida em acampamento. E é melhor também que usar a cafeteira pra cozinhar algumas coisas, como estávamos fazendo antes.

Domingo fomos chamados para passar o dia numa casa na beira do Rio Muaná. Comemos muitas espécies de carne (frango, carne de boi, camarão...) mas não quisemos comer aperemba (o nome de uma tartaruga que tem aqui). O que atrapalhou nem foi o aspecto de carne de ostra que tinha, mas a forma como é preparada. Ela é colocada em uma panela grande de pressão com a água já fervente e é cozida por cerca de 30 minutos. É um pouco triste, mas na cultura daqui isso é normal. Aqui é muito comum comerem toda espécie de quelônios como tartaruga, tracajá, jabuti...

O que estou fazendo é aprendendo a pescar camarão. Logo, pretendo praticar e ficar muito bom nisso.

As pessoas daqui são muito ligadas com a cultura imposta pela selva amazônica e são muito orgulhosas por viverem aqui. Conversar com eles traz um sentimento muito bom que nem consigo descrever. Mas este tempo todo tem me feito pensar bastante em como Deus cuida dos homens e como cada homem tem sua forma de interagir com a natureza.

Vi também que as pessoas ficam perplexas em ver as noticias recentes de alagamentos, desabamentos e mortes pelo Brasil afora. Aqui é alagado o tempo todo e ninguém morre. Segundo palavras de um morador, "aqui nós sabemos a respeitar a natureza e não construímos onde sabemos que pode nos trazer riscos".

Estou fazendo amizades rapidamente e estou sondando um lugar para acampar onde eu possa ficar isolado e com segurança. Eu vou acampar numa ilhota que fica perto da minha casa, mas preciso de um barco para me levar até lá. Estou analisando algumas coisas de segurança apenas (animais e essas coisas), mas está tudo tranquilo.

Tenho também propostas para viajar até um lugar para pescar. Não sei bem onde é, mas tem um sitio lá e parece ser bem tranquilo.

Em tempo: Fui convidado pela SAAE (a "COPASA" do Pará) para uma reunião para integrar uma equipe de saneamento do município. Pude também colaborar com informações geológicas para a construção de novos poços de captação de água e semana que vem sairei com o diretor da empresa para visitar os poços já existentes.

Meus planos de mestrado se frustraram, pois não atingi o nível padrão em conhecimentos na lingua inglesa. Isso até que foi bom, pois eu ia ver a Flávia somente nos fins de semana durante quase quatro meses. Vou fazer um curso de especialização em recursos hídricos e geologia ambiental na UFPA (a distancia, onde irei esporadicamente na universidade) que dura um ano e meio.

Saudades

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Acomodações e novidades


Passadas as primeiras impressões da nova vida no Pará, a primeira coisa que se consolida é o sentimento de que não foi apenas uma viagem. As coisas aconteceram tão rapidamente (mudança de planos, casamento e estado novo) que a mente ainda insistia em não acreditar. È como se a lei da inércia valesse também para o cérebro, que não atualiza as informações mediante o acontecimento das coisas.

Alguns têm perguntado sobre as condições de nossa moradia. Bom, ainda não chegaram as coisas que compramos e pagamos o frete. Isso tem sido interessante, porque temos que improvisar várias coisas.

A nossa casa tem apenas um colchão, um ventilador, uma cafeteira, um notebook e umas coisas menores. Isso permite fazer combinações interessantes como usar a caixa do ventilador como mesa e fazer macarrão na cafeteira (e pode acreditar que ficou muito bom). Estivemos em Belém no fim de semana e trouxemos conosco uma mesa, mas não foi muito seguro porque ela vem no barco junto com tudo o que se possa imaginar que as pessoas trazem (é até interessante olhar a cidade e ver que praticamente tudo aqui veio de barco um dia).

Nesta ultima ida a Belém, a opção de viagem era apenas noturna. Saímos de Muaná às 20h. Segundo palavras do próprio comandante do barco, “ a chegada em Belém está prevista para as 02h, mas caso o rio não esteja muito bom, agente pára em Barcarena e continua viagem mais tarde. Neste caso chegaremos em Belém as 08h”. Ressalto que a viagem não é perigosa, a embarcação está em excelente estado de conservação, com todas as orientações de segurança, coletes salva-vida e etc. É importante frisar aos mais preocupados!

Em Belém além de comprar a mesa, fomos ao dentista e eu fiz uma prova de inglês na universidade. Passeamos bastante com nossos amigos geólogos, os quais mencionei no primeiro texto. Conforme prometi a eles após lerem o primeiro texto e reclamarem, Belém é uma cidade bem diferente de Muaná. É uma metrópole com muitos prédios altos, shopping centers, e tudo o que uma cidade grande tem. Pediram para que eu informasse também que lá as “pessoas não tropeçam em jacarés” conforme eles mesmos falaram que nós, do sul e sudeste brasileiro achamos. Eu ri muito ao escrever isso.

Os paraenses que nos conhecem sempre dizem que somos facilmente identificados pelo sotaque. Todo mundo já sabe que somos “de fora” quase que antes de falarmos. “Égua, mas tu num é daqui não é?” Já conseguimos, com os amigos de Belém um dicionário com as expressões que os paraenses mais falam. Ele é mais útil pra mim, visto que a Flávia sabe bem mais que eu sobre o significado das expressões que eles falam. Eu sempre fico sem entender metade das expressões.

Em tempo, desculpem não estar dando muita atenção aos emails ou estar demorando bastante para respondê-los. Além de não poder vir todo dia à lan house, a conexão é tão lenta que tenho que ficar me lembrando toda hora que esse computador não é meu e consequentemente não dar uma porrada nele. Já a Flávia, no trabalho, tem uma internet melhor e tem mais tempo para acessá-los. Aqui no município ainda não tem internet disponível para as casas, mas dizem que em breve haverá. Tomara!

Fica aqui uma mensagem que um amigo da Flávia escreveu pra nós antes de virmos e que vejo que ela é muito verdadeira: “ Vocês podem até sair de Minas, mas minas não vai sair de vocês”.

Grande abraço


Wendell Fabrício

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Os primeiros dias no Pará

Mineiros chegando em Belém

Saímos de Belo Horizonte no fim da madrugada do dia 14 de janeiro, quinta-feira. O vôo fazia uma conexão em Guarulhos-SP e então partia para Belém, capital do Pará. Chegamos em Belém por volta das 14h no horário local (aqui não se adota o horário de verão). Ao descer do avião já senti um susto com o calor absurdo que faz. Almoçamos e pegamos um taxi para a casa da Natasha, uma colega estudante de geologia que conheci pela internet. Ela havia oferecido nos hospedar em sua casa em Belém, até seguirmos viagem para Muaná, cidade em que estamos morando. Além do mais, precisávamos ficar em Belém pelo menos um dia devido a um encontro meu, marcado com um geólogo professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). Precisávamos também comprar algumas coisas para a nossa casa em Muaná.

Fomos muito bem acolhidos na casa da Natasha. Após chegarmos, conversamos por um bom tempo com ela e seu namorado (também geólogo) sobre a universidade e também sobre o município. Logo depois saímos para conhecer um pouco de Belém e andamos bastante a pé. Conhecemos alguns órgãos administrativos, igrejas e pontos turísticos. Belém é uma cidade bastante movimentada, mas bem diferente de Belo Horizonte. Durante o passeio, aprendemos bastante sobre como as coisas funcionam em Belém como transporte, violência urbana, pontos de compras, entretenimento e etc. Comemos uma comida típica daqui e de origem indígena chamada Tacacá (é uma espécie de caldo amarelo tomado numa cuia). Ele tem uma folha que deixa a boca dormente e alguns camarões inteiros boiando.

Chegamos muito cansados, não só pelo passeio, mas também pela viagem e pelas poucas horas dormidas na noite anterior. Ganhamos emprestado um ventilador para colocar em nosso quarto, para combater o calor. Graças a Deus a Flávia tinha comprado um cortinado em BH, pois havia também muitos mosquitos (aqui chamam de carapanã) e nós improvisamos o nosso cortinado num gancho de rede. Mesmo assim acordamos suados e picados.

No outro dia acordamos cedo e fomos para UFPA, onde conversei com o professor que possivelmente irá me orientar no mestrado nesta universidade. Realizei, inclusive, minha inscrição. À tarde saímos pela região central de Belém para comprar algumas coisas básicas para a nossa casa, mas estava difícil. Nenhuma loja faz entrega em Muaná. Eles nem cogitavam entregar aqui e até riam quando perguntávamos. Em uma loja de colchão, conseguimos que entregassem no porto, onde pegaríamos o barco no dia seguinte para Muaná. Ao menos já teríamos onde deitar... Algumas outras coisas compramos numa Loja Americanas através do site da loja. Um vendedor local garantiu que eles entregam em Muaná, mas o prazo era 31 dias úteis, devido à distância. Compramos uma geladeira, uma maquina de lavar e uma TV. O fogão e dois ventiladores nós ganhamos de presente e chegaria direto também. Vai ser um pouco difícil esperar as coisas chegarem, mas parece que vai ser bem legal “nos virarmos” com poucas coisas. Estamos felizes com isso.

Após as compras, acabamos tomando uma chuva muitíssimo forte, o que dizem ser comum por aqui. Tentamos nos abrigar numa banca, mas a ventania não nos deixou ficar secos. Molhados, fomos então para a casa da Natasha e já eram cerca de 19:30h. Tomamos banho e saímos novamente. Pegamos um ônibus errado e, como se não bastasse, o cobrador esqueceu de nos avisar para descer e fomos parar bem mais longe. Tivemos que pegar outro ônibus para voltar e depois mais um pra ir pra casa. Comemos uns pasteis de carne de sol desfiada e a Flávia tomou suco de cupuaçu. O suco é grosso, forte e um pouco azedo, mas gostoso.

O outro dia era o de pegar o barco em Belém e ir para Muaná. Saímos cedo de casa em direção ao porto, mas o barco só saiu às 11h. Estávamos muito eufóricos pela viagem. Ajeitamos nossas malas numa espécie de camarote. O camarote é um pouco mais caro (R$30,00 cada), pois não tínhamos redes para viajar. Nele tinha duas caminhas. O barco se chama Bom Jesus e transporta cerca de 150 pessoas. Foi engraçado ver que tudo que tínhamos estava naquele minúsculo camarote de barco. 2 Mochilas grandes, uma média e três pequenas. Nas mochilas tinham roupas, livros e coisas que ganhamos no casamento. Tinha também uma caixa de papelão com panelas, uma cafeteira, uma garrafa de café e dois travesseirinhos... Já o nosso colchão novo foi no porão do barco.

A viagem de barco para Muaná

A viagem durou pouco mais de 6 horas. Foi um momento muito especial em nossas vidas porque ela tinha um sentido muito maior que uma simples viagem. Estamos mudando de vida, nos isolando num local muito desconhecido no interior da floresta amazônica, onde só se vê, água e selva. Tudo é muito diferente e é difícil acreditar que estamos ainda no Brasil. A saída de Belém representava também uma abdicação do conforto das metrópoles urbanas para viver uma aventura certamente imprevisível. Pensei algumas vezes durante a viagem: “Agora é pra valer. O que planejamos os últimos 60 dias estava realmente acontecendo”.


A paisagem é meio assustadora pra nós pela grande quantidade de água nos rios, onde, durante uma parte da viagem não se vê as margens. Este mundo é realmente muito vasto e somos muito pequenos perante a soberania da natureza. É um sentimento indescritível. Marquei algumas coordenadas com o GPS e em breve farei um mapa da rota que fizemos.

A chegada em Muaná foi muito legal e a primeira coisa que pensei quando o barco ancorou no porto daqui foi que “essa agora é a minha cidade.”

Muaná

Quando chegamos e desembarcamos, pagamos um carregador para levar nossa mudança para a nossa casa. A Flávia foi buscar a chave enquanto eu ajudava a carregar as coisas para o carrinho do carregador. Esse foi nosso caminhão de mudança...

Nos instalamos e logo fomos andar pela cidadezinha. Muaná é como se fosse uma vila. A cidade é confinada por rios e a maioria das casas são feitas nos igarapés, ficando suspensas sobre a água. A cidade é formada por porções pequenas de terra firme circundadas por água. Passa um rio bem grande aqui, mas não tão grande quanto os que dão acesso à cidade. O povo é bastante hospitaleiro e quase não aparecem pessoas de fora. Somos os únicos mineiros em Muaná.

Mesmo com o calor que faz, não é muito fácil tomar banhos frios. Apesar de que nem adianta reclamar porque aqui não tem chuveiro elétrico. O calor daqui é bem diferente porque é associado a altas umidades, produzindo uma sensação de estar em uma sauna. A população daqui, contudo, é bem adequada com o calor. Um detalhe interessante é que aqui o comércio fecha das 12 às 16h. Está um pouco difícil conviver com este calor, estou tomando por volta de três banhos por dia. Muitos lugares têm ar condicionado, mas não creio que seja muito bom pra saúde devido ao choques térmicos sofridos ao sair de um lugar frio. As lentes dos óculos até embaçam.
Tem muitos insetos por aqui. Tem a maioria dos insetos que temos e Minas Gerais, porém de tamanho muito maior. Bom, deve ser mesmo verdade que dizem que a Amazônia tem a maior biodiversidade da Terra.

No domingo, fomos convidados para almoçar numa casa ás margens do Rio Grande. A base da alimentação daqui é o açaí. As pessoas comem açaí em todas as refeições em substituição do arroz e feijão. Nas refeições, o açaí é servido em tigelas, onde se mistura farinha e açúcar. O restante da refeição (basicamente carne e farinha) se como no prato. Por incrível que pareça, eu já me adaptei e acho que dificilmente sentirei falta do arroz com feijão diário. Já a Flávia não come ainda açaí nas refeições grandes (almoço e jantar), mas ela sempre consegue um pouco de arroz e até feijão.

Fomos muito bem recebidos na casa, onde havia várias pessoas. Comemos muito bem dois tipos de peixe, assado e frito. Conversamos bastante e conhecemos uma parte do município de barco. Nadei um pouco no rio. Foi muito agradável. Nos fez querer encontrar uma casa para morar junto ao rio e já estamos analisando os lugares possíveis.

Enfim, está sendo uma bela aventura. Doeu um pouco estar deixando as pessoas que amamos para trás. Às vezes choramos um pouco, mas não estamos arrependidos, pelo contrário, estamos muito felizes porque percebemos que vamos crescer muito aqui. Não se preocupem, estamos bem e felizes.

OBS 1: NÃO ESTOU CONSEGUINDO COLOCAR UMAS FOTOS AQUI DEVIDO À VELOCIDADE DA INTERNET. VAMOS TENTAR ADQUIRIR UMA INTERNET PRA NOSSA CASA, MAS AINDA NÃO SABEMOS MUITO BEM COMO. ALGUMAS FOTOS TENTAREI COLOCAR NO ORKUT, MAS ACHO QUE NÃO CONSEGUIREI HOJE.

OBS 2: NOSSO TELEFONE AQUI É (91)9158 8889. ELE É DA VIVO E TEMOS UNS BONUS DE MENSAGENS PARA TODO O BRASIL.


Um abraço
Wendell Fabrício
18/01/2010

domingo, 20 de dezembro de 2009

Não fique à deriva

Na vida inteira temos cerca de quatro escolhas a fazer. Quatro encruzilhadas para se escolher o caminho a seguir. Não muito mais que isso. Claro que deparamos com decisões a se tomar diariamente, mas apenas quatro em toda a vida, quatro grandes decisões, determina o significado de nossas vidas.

E existirão muitas decisões importantes que até modificarão nossas vidas, dependendo do caminho escolhido, mas que podem não mudar o significado, o sentido (e não ser uma “das quatro”). O que fazer então é tomar sempre as decisões certas? Claro, mas isso não será possível. Não somos capazes de tomar sempre as decisões certas.

O melhor a fazer é identificar quando está diante de uma das quatro grandes decisões. E aí sim, tomar o melhor caminho. Quando você identifica que está diante de uma grande decisão você será mais consciente e suas chances de acertar crescem bastante.

Fica a minha dica de estratégia: Procure acertar nas decisões, mas quando estiver diante de uma grande decisão, acerte! Seu futuro depende disso. A vida é feita de escolhas, mas apenas cerca de quatro delas fazem a vida. Não fuja desta responsabilidade, não tenha medo e ILUMINE SUA ESCURIDÃO. Deixar de tomar uma decisão não vai te fazer não seguir um determinado caminho, mesmo que você esteja à deriva nele.

Saudações

Wendell Fabrício

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Confissões de um influenciador

Recentemente uma pessoa me disse que eu sou um grande e eficiente influenciador de opiniões. De pronto eu concordei, mesmo que tenha sido uma crítica. Não nego também que gostei e até dei alguns exemplos de outras situações parecidas com a que conversamos. De fato, pessoas como eu gostam muito de sentir que influenciam opiniões e isso provoca certo “vício”, visto que temos cada vez mais dificuldades de se deixar influenciar.

Creio que nosso próprio subconsciente cria uma espécie de competição e é difícil aceitar não ser mentor de algo. Será verdade? Passei aquele dia pensando sobre isso e confrontando minhas próprias opiniões, porque me parecia que tinha alguma coisa errada. Faltava influenciar a mim mesmo nesse sentido! (é o “vício” que fechou um ciclo)

Uma dica: O bom influenciador quase nunca ataca diretamente falando sua opinião. Ele cria um ambiente que faz as pessoas pensarem como ele quer. Muitas vezes ele mesmo não diz sua opinião ou mesmo diz uma coisa contrária, pra parecer normal. No final ele “muda” de opinião, assumindo a idéia inicial e oculta dele. Pode acreditar, ele faz tudo isso pra desviar a atenção de uma coisa que ele não quer que os outros pensem. Já estava tudo planejado.

Ser influenciador em si não é ruim. Mas a responsabilidade é dobrada porque o mesmo pode levar as coisas ou pessoas ao caminho errado. O pior é que a maioria das vezes ninguém nem percebe que foi conseqüência do que ele fez ou falou. Naquele dia verifiquei “n” vezes que aconteceu comigo.

O primeiro passo para o influenciador é assumir pra si mesmo que é. Medir a responsabilidade a partir daí passa a ser obrigatório. Isso para cada situação. Pensar ter duas personalidades é outro indicativo que você é influenciador. Talvez você tenha mesmo muitas e nunca vai conseguir ser a mesma pessoa em qualquer lugar e em qualquer grupo de convívio.

Sei que isso incomoda as vezes, mas lembre-se: Algumas pessoas sabem que você finge de normal, mas não se sinta uma pessoa diferente do que a maioria enxerga.

Um abraço
Wendell

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Voce é preto ou branco?

Me diz aí? O que você é? Preto ou branco? Bom, seja o que você quiser porque não inventaram, ainda, uma escala de cor de pele. Mas bom mesmo é se sentir intermediário entre os dois. Porque trás a oportunidade de ser livre para se sentir sem precisar optar. E afinal de contas, que diferença isso faz?

Contudo, meu intento, aqui, não é condenar o preconceito e a discriminação social. Dizer que não tem preconceito já é assumir que as pessoas são diferentes por causa disso. E, se quer saber, ele existe sim, mas de certo que cada um pode se colocar ou não como discriminado. Melhor, cada um pode optar ou não aceitar que isso modifique a sua vida. E isso é o certo!

UMA COISA A SE PENSAR:
Porque querem me obrigar a dizer “negro”? Porque não pode falar que alguém é preto e pode falar que alguém é branco? Porque preto é ruim e branco é bom? E existe alguém branco por um acaso? Existem sim umas cores que acho que se aproximam muito mais das pessoas: Laranjado, amarelo, vermelho, marrom...

PENSA NISSO TAMBÉM:
E porque importaria tanto a diferença de, especificamente, cor? Porque o apartheid, por exemplo, não era para separar os de orelha de abano dos de orelha pra trás? Ou, os gordos dos magros, os que têm pelos no corpo dos mais pelados?

Claro que entendemos a resposta. Mas será que entendemos o porquê da pergunta? ILUMINE A ESCURIDÃO. E que cor mesmo você é?

Abraço
(somente aos que têm “orelha de abano”)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O segredo sucesso

Você está no grupo da maioria que acha que ter sucesso na vida é ter dinheiro? É ter bens? Então você é um idiota. Se você se inclinou a dizer não, faça uma auto-análise e responda ao final.

Veja bem, é comum ouvir elogios atribuídos à uma pessoa rica como: “Fulano é um homem de sucesso!” ou pior, “Ciclano subiu na vida!”. A princípio, todos sabemos que nem todo rico tem sucesso, mas será que pregamos e encaramos essa verdade para nós mesmos?

Vemos na TV artistas se orgulharem de serem ricos porque no passado foram garis, vendedores de sapato, ou cobradores de ônibus. Eles acham bonito ter uma trajetória de pobre-a-rico como se a quantidade de dinheiro que eles têm traduzisse seu sucesso. A culpa não é deles, é nossa, que valoriza isso.

É exatamente por isso que somos intolerantes aos erros de outros. É por isso que, quando vemos no noticiário mostrar o rosto de um assaltante de carteira, nós dizemos que “tem que socar um cara desse” e depois saímos felizes da padaria após ver que nos deram troco a mais na hora de comprar o pão.

E assim, meus caros, não damos chance ao assaltante, de se redimir. De pagar com dignidade pelo que fez e se recuperar. De ser acolhido e entrevistado na TV como uma pessoa de sucesso, mesmo continuando pobre! A nossa sociedade valoriza o dinheiro e não a redenção e por isso, alguns preferem roubar.

Subir na vida é ser cada vez mais honesto, é não cometer erros que se cometia no passado, é se orgulhar pelas ações e não pelo dinheiro que se ganha. ILUMINE SUA ESCURIDAO, não aceite dizer ou ouvir que subir na vida é ter dinheiro.

Abraço

Wendell Fabrício

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Deixa eu te contar um segredo?

Você sabia que as pessoas sabem mais sobre você e suas ações do que você mesmo pensa? De maneira geral, o ser humano adora compartilhar um segredinho. E isso resulta numa situação corriqueira e interessante.

Considere os personagens: Joana, Maria e Pedro. Maria se apaixona por Pedro, que é amigo de Joana. Eles acabam tendo um caso “secreto”. Maria decide quebrar o trato de segredo que fez com Pedro e conta tudo pra Joana.

Joana gostou de saber da história, mas como ela é amiga de Pedro também, não resistiu e decidiu perguntar mais detalhes para Pedro:

Joana: “Pedro do céu! Fiquei sabendo o que rolou entre você e a Maria. Mas olha Pedro, eu prometi pra Maria que ia guardar segredo. Por favor, não conte a ela que eu te falei. Você promete que não vai falar nada?”.
Pedro: “Sim Joana, eu prometo. Mas me conta, o que a Maria achou de mim?....”


Essa pequena e simples história ilustra o que acontece muito mais complexamente na vida real, envolvendo não apenas três pessoas. Vou chamar isso de ciclo do segredo estendido. Ou seja, não existe segredo nenhum! Todos sabem da história, mas os envolvidos pensam que apenas as pessoas que eles próprios contaram é que sabem.

Não sejamos ingênuos. Se você quer ter algum segredo sobre sua vida, guarde-o pra você mesmo, porque, a partir de quando você o compartilha, não é mais segredo. E te garanto uma coisa: se você mesmo não conseguiu guardar, seu confidente é que não vai.

Se você mesmo pede: “Promete que não vai contar pra ninguém?”, essa pessoa fará o mesmo pedido ao outro, que por sua vez contará pra o outro e por ai vai....

Um abraço

Wendell Fabrício

terça-feira, 7 de julho de 2009

A mídia e o Michael Jackson

Que o “astro-pop” teve uma carreira bonita e promissora não se discute. Bem como foi um grande e inovador dançarino. De fato Michael Jackson muito contribuir para a música. Mas qual o sentido de ficar agora especulando se ele gostava ou não da família dele, se ele urinava em pé ou sentado ou se o Pica-pau era amigo dele....?

Será que as pessoas não percebem que estão sendo usadas pela mídia e pelo mundo capitalista? Pra quê saber quantos filhos ele tinha ou pra quem ele deixou o dinheiro?

- Porque essa notícia vende! Porque a mídia “não tem mais nada pra mostrar”.

Infelizmente, até cair outro avião ou algum riquinho supostamente jogar a filhinha pela janela, teremos que ficar deparando com noticias sobre o tipo de chinelo que o Michael usava. Porque é só isso que agente gosta de assistir, de ler, de ouvir....

Agora vão ficar martelando as musicas na nossa cabeça até fazer o thriller vender o dobro que já foi vendido em 1982! Você conhece pelo menos a tradução da música? ILUMINE SUA ESCURIDÃO!

P.S.: Estou vendendo o disco de vinil Thriller que era do meu pai: Mil reais.Quer comprar?



Wfabrício

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Substituindo equações

Estava eu assistindo uma das ultimas aulas de física quântica e me aconteceu uma coisa interessante que gostaria de compartilhar.

Se existe uma coisa incompreensível aos nossos limitados “olhos” é a tal física moderna (tanto relatividade quanto quântica). Tudo bem que eu estava completamente disperso e desinteressado nessa determinada aula, mas teve uma coisa absurda que me chamou atenção.

Estava eu, quase dormindo, quando ouvi o professor dizer:

“Substituindo a equação 13* na equação 14.3 temos:”

“O que eu estou fazendo aqui?”. Pensei!

De fato, me emocionei ao pensar isso e vi que terei saudades desses apertos passados na universidade. Este que é meu 13º e ultimo período está me mostrando uma dura lição: além de tudo, vale a pena curtir cada momento. Não precisamos entender todas as equações.

Poxa: que divertido é não entender nada às vezes! Eu gosto disso e precisava ter curtido mais todas as vezes que eu não entendi nada.

Assim é em todas as áreas de nossa vida. Precisamos saber, não apenas não lamentar, mas gostar de ver as coisas dando errado. ILUMINEI MESMO ESSA LONGA ESCURIDÃO!

Esta foto é do meu caderno (tive que anotar mesmo sem entender) na porção superior estão as equações 13* e 14.3. Para curiosidade de vocês, elas levam a equação de Shrodinger. Que estabelece estados estacionários de energia de elétrons num átomo.

Agora, me deixem ir estudar para a prova final, que é nesta quarta.

Abraço

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Analisando comportamentos

É possível prever o comportamento de uma pessoa analisando sua forma de olhar, andar e vestir. Baden Powell, o fundador do escotismo, escreveu um livro* que me fez começar a desenvolver essa perícia. E assim eu fiz e faço.

Ele exemplificava situações de sucesso ao analisar o comportamento de uma pessoa apenas pela forma de andar. Pode-se pensar que é presunçoso julgar uma pessoa apenas pela sua forma de agir, mas constitui numa ferramenta boa para prever comportamentos.

Há alguns anos, percebi que tenho a “mania” de querer saber o que uma pessoa vai fazer no futuro, analisando o presente. Namoradas, parentes e amigos já sofreram um pouco com meus testes formulados (principalmente quando percebem que era um teste). Eles (os testes) têm como objetivo analisar o comportamento que a pessoa tem quando submetida à uma situação qualquer. Você mesmo pode criar uma história e ver a reação da pessoa, você pode também usar uma história existente e esperar a reação ou o comentário...

De certa forma, é muito útil tentar conhecer uma pessoa analisando minuciosamente suas ações e extrapolando isso para outras situações. Assim, você pode tentar selecionar melhor as pessoas que estarão ao seu lado. Seja um amigo, um empregado, uma mulher...

É cruel isso? Medo de errar um “julgamento”? É questão de estatística. Trabalhando, você pode reduzir bastante a probabilidade de erro e, se essa probabilidade for menor que 50%, já vale a pena tomar uma atitude por meio de seu veredicto.

Em textos futuros, pretendo trazer alguns exemplos de testes, outros sobre análise de comportamento.

Forte abraço

*Escotismo para Rapazes, 1907. Edição Nacional: UEB

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Cuidado, vai devagar




Sempre que saio de casa, de moto, ouço de minha mãe as mesmas palavras:

_“CUIDADO, VAI DEVAGAR”.

É hilário ter que ouvir a mesma coisa todo dia. Sempre muda um pouco as palavras, mas o sentido é o mesmo.

Há cerca de 30 dias eu estava a caminho de casa, partindo da UFMG e não sei o porquê comecei a refletir sobre as leis, sobre as regras.

Em certo ponto da Via Expressa, lembrei-me das palavras de minha mãe e decidi obedecer também.

Neste momento, eu estava a incríveis 60km/h (que era o limite de velocidade da via) e vi que, para obedecer à minha mãe eu deveria reduzir a 30 por hora. Menos que isso, pelo Código de Trânsito Brasileiro – CTB, nem é permitido.

A esta altura, até trator estava me ultrapassando, quando me deparei com a seguinte placa: “REDUZA A VELOCIDADE”.

_“Meu Deus, o que eu faço agora?”. Como essa placa não previu que eu já poderia estar na velocidade mínima? Mesmo assim, decidi respeitar mais essa placa (até ver outra de 60 e poder voltar a 30km/h).

Reduzi a 15Km/h e tive que agüentar todos me olhando como se eu fosse um extra-terrestre. Acho que pensavam que eu estava com a moto estragada, pneu furado ou coisas do tipo. De fato tinha até bicicleta me ultrapassando, quando numa subida um caminhão se aproximava de mim. Era um caminhão velho e bem carregado que subia a uns 35 por hora.

Vi no retrovisor que o motorista tentou saber o que havia comigo (ficava olhando pra moto e esperando que eu parasse de vez) e decidi passar a imagem de alguém inseguro. Cara de assustado, braços trêmulos fazendo a roda da frente zigue-zaquear e olhares curtos e repetidos no retrovisor. Certamente ele pensou que eu fosse um maluco, bêbado e sem carteira.

Decidi dar uma buzinadinha e levantar o braço esquerdo no momento que ele me ultrapassava:

_“Bip-bip”

E a resposta dele veio em seguida, bem no meu ouvido:

_”bommmmmmmmmmm-bommmmmmmmmmm”

E, após vê-lo rindo de mim, vi que se encerrava ali minha tentativa de seguir a lei e minha mãe ao mesmo tempo. De certo que, tanto a lei quanto a minha mãe, já falam desconfiando que não vou cumprir.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Você não deve sonhar

Me incomoda ouvir falsos conselhos, que, por mais que sejam palavras que trazem certo ânimo, acabam por iludir as pessoas. Um desses conselhos é o “Corra sempre atrás dos seus sonhos” ou pior: “nunca desista dos seus sonhos”.

Conselho irresponsável esse! Pra explicar preciso considerar dois princípios:

PRINCIPIO 1: O limite da felicidade e da infelicidade é bem próximo. A felicidade está ligada com a questão de satisfazer seus desejos, independente se ele é grande ou não.
PRINCIPIO 2: A felicidade não está associada à riquezas ou bens materiais. É plenamente comum uma pessoa pobre ser mais feliz que uma rica.

Posto isso, pretendo mostrar que sua felicidade está ligada ao que você consegue realizar dentro do que pretende. Assim, o segredo é você controlar (ou tentar) o que deseja (ou o que senha). Considere esse exemplo:

João decide que seu desejo é ter um carro importado. Na verdade ele não precisa de um, mas seu vizinho e as propagandas que ele vê na TV o induzem a pensar que isso é bom pra ele. Porém João vive com cerca de 1,5 salários mínimos e o valor do carro e pouco superior a 100 salários mínimos (cerca de R$ 45.000,00). Uns diriam a ele: “nunca desista dos seus sonhos”. Eu diria: “Pare de sonhar”.

Isso não é questão de pensar que ele (o João) não é capaz, é questão de privar ele do simples e arrasador sentimento de F-R-U-S-T-A-Ç-Ã-O. Sentimento comum no nosso dia a dia, mas que luta contra a felicidade, contra a satisfação. Esse sentimento tem um caráter persistente, de tal modo que, uma vez frustrado(a) em determinado assunto, muito provavelmente continuará lamentando o fato de não ter conseguido cumprir.

Assim, defendo a bandeira de que, procure se contentar com coisas tangíveis. Mesmo que sejam planos trabalhosos de concluir, devem ser planos simples. Se você é rico ou pobre, não procure se satisfazer com bens superiores aos seus. Não busque riqueza e dinheiro e sim satisfação.

Evite sonhar! Quando você liga o automático do sonho, você vive na condição de realizar todos eles pra se satisfazer e certamente vai desejar mais que conseguirá realizar.

Não existe relação entre dinheiro e felicidade a não ser que você atribua isso, mas nesse caso, assuma os riscos de não conseguir e ser infeliz mesmo com muito dinheiro. Mas pense: Não há limite para a ambição! Seja inteligente e ILUMINE SUA ESCURIDÃO.

Abraço. Estou de volta!

Obs.: Este assunto é muito mais complexo que isso. Tenho muitas reflexões e já há cerca de três anos que venho desenvolvendo este raciocínio. Parte dele está traduzida aqui, obedecendo minha linha neste blog: escrever textos pequenos que deixam espaços vazios no entendimento, o que, ao meu ver, obrigam a reflexão no assunto, mesmo discordando de meus pensamentos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Recesso


Caros leitores,

Já há algum tempo tenho encontrado dificuldade pra atualizar esta página. Por vezes tenho tido algum impulso pra escrever sobre qualquer assunto mas as idéias estão turbilhando demais para ser rearranjadas e escritas. O intervalo entre os textos está ficando cada vez maior...

Imagino que isso seja por estar com diversas tarefas e "problemas" por resolver. Tenho alguns textos na seção rascunhos mas não tenho encontrado disposição para terminá-los e, como defendo a bandeira da leitura livre, prefiro não forçar.

O blog ILUMINANDO A ESCURIDÃO fará 1 ano em junho/2009. Ocasião que pretendo publicar o texto que fala sobre a minha preferida teoria sobre o comportamento humano. O texto se chama VOCE NÃO DEVE SONHAR onde apresento argumentos contrários à idéia de que "voce precisa sonhar e batalhar pelo seu sonho".

Até agora publiquei 26 textos aqui. Sempre mantendo a mesma linha, sendo essa a de textos curtos, polêmicos e de leitura clara. Espero ter contribuído para suas reflexões em alguns deles.

Veja a foto. Ela mostra uma das coisas que mais gosto de fazer em um acampamento: Acender a fogueira. Uma atitude importante é soprar o fogo na base, para ajudar na combustão. E, além de ser muito divertido (inclusive pela fumaça na cara), traduz uma atitude de alimentar a chama. Enfim, algo como ILUMINAR A ESCURIDÃO.

Ressalvem a foto "tremida". Foi num acampamento no incio deste ano, em Conceição do Mato Dentro/MG.



Abraços

Wendell Fabrício

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ano novo. Vida velha!

"Ano novo, vida nova". Todo mundo já ouviu e/ou pronunciou esta máxima.


Contudo o significado dela é pouco substancial. E traz uma vontade de mudança frente a um marco temporal, que é a virada do ano.

Claro que é positivo aproveitarmos esta mudança de calendário para buscarmos algo de melhor para as nossas vidas, entretanto, ficamos presos ao tempo e acabamos não nos sentindo livres para mudar a qualquer hora e momento.

Por exemplo, porque um vício qualquer precisa ser sustentado um mês, para ser deixado? Porque esperar o dia 31/12? É uma tremenda bobagem!

Ilumine sua escuridão. Você não precisa ficar preso no calendário, não precisa fazer estratégias ou traçar planos apenas anuais. Podem ser de mais ou menos tempo. De fato, você não precisa de clima de festas de fim de ano. Certamente as promessas feitas são impulsionadas por esse clima e muitas nem serão lembradas.

Então,sua frase será automaticamente: “Ano novo, vida velha!”

Acho que até cola melhor.

Abraço e feliz 2000 e todos, até quando você agüentar viver.

WFabrício

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Abaixo da linha da cobrança

Sou do tipo chato no transito e o que mais me aborrece é ver pedestres atravessando próximo a passarelas.

Hoje tive o desprazer de verificar um atropelamento na BR 381, onde passava nos instantes seguintes ao ocorrido, e acabei contribuindo com a sinalização do local. A vítima faleceu instantaneamente e estava disposta sob a sombra de uma passarela.

Alguns kilômetros a frente, embaixo de outra passarela, vi operários construindo uma espécie de mureta para evitar travessias. E pensei: "Será porque precisamos disso?" E o pior é que esta mureta será destruída em breve.

Isso atesta a nossa ignorância como civilização. E é esta cultura que construimos para a nossa sociedade. A de que não se precisa seguir recomendações e regras, salvo quando nos convém. Mas do contrário, gostamos de ver e rever reportagens sobre meninas sendo arremessadas por janelas, outras sobre arrastados por carros e etc, torcendo pela condenação dos "culpados".

Vamos cair na real, somos nós é que construimos esta sociedade que rouba, que joga crianças em lagoas...

Realmente é de se revoltar quando vejo pessoas e mídia atribuindo a culpa aos governantes, implicado numa "falta" de passarelas. Pneus queimando e bloqueando estradas, em protesto, são corriqueiramente observados em diversos locais.

As vezes devemos nos sentir incapazes até de nos indignar com algo, antes de ter certeza que não estamos trocando valores. Se quer cobrar algo, não esteja abaixo da linha da passarela.

Abraço

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A percepção dos valores

Este texto abaixo não é meu, mas gostaria de publicá-lo aqui pela alta compactabilidade que ele tem com minhas idéias sobre o assunto. Fiz apenas algumas adaptações. Assistam o vídeo também.
Enfim, recomendo veementemente uma reflexão. Vai te fazer se sentir melhor.
Abraço, Wendell

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa
e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência foi gravada em vídeo, confira:

http://br.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw,

O vídeo mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A conclusão:
1) estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares, e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço.
O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?
Essa experiência mostra como na sociedade em que vivemos os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro. Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O natal dos esquecidos

Correrei o risco de ser incenssível ao lançar minha reflexão sobre a tragédia de Santa Catarina. Contudo, creio que há muito mais que uma parte específica da sociedade que precisa de nossa ajuda.

Tenho umas roupas usadas em bom estado para doação na minha casa mas percebo que uma tarefa árdua poderá ser a de saber a melhor forma possível de fazer a uma boa ação com elas.

A mídia tem quase que me obrigado a doar aos milhares de desabrigados de Santa Catarina. “Faça como todos, volte seu olhar para eles!”. Mas espere. Como estão as pessoas que todos os anos recebem doações de campanhas que vejo ou até mesmo que faço parte? Este ano elas estão bem? E os asilos, as creches e orfanatos, os abrigos e até mesmo os mendigos?

Esperaria que sim, mas creio que eles estão apenas mais esquecidos. A mídia em torno de uma calamidade natural desviou os olhares de uma calamidade política e social. Contrariamente, nunca se têm recebido tantos emails ou visto tantas empresas se mostrando “solidárias”...

Sendo assim, talvez seria melhor eu esquecer minhas sacolas de doações e ajudar na fundação de uma campanha em prol do que quero chamar de natal dos esquecidos. O slogam poderia ser algo como “nós ainda precisamos”.

Vamos ajudar SC sim, mas que seus donativos sagrados de todo natal sejam ampliados para, no mínimo, satisfazer os que já esperam todo ano. ILUMINE A ESCURIDÃO dos esquecidos!

Feliz Natal, principalmente para eles.

Wendell Fabrício

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A mentira te satisfaz

É mais fácil se enganar,
reproduzindo uma auto-imagem de “dono da situação”
tornando insondável a verdade que existe dentro de você
à encarar sua pequenez diante dos fatos
e estar em mansidão

Você quer ensinar,
mas ainda nem aprendeu a aprender
mostrando-se por cima de tudo
Mas só você mesmo que não quer enxergar
Iluminando sua própria escuridão

Afinal de contas, é mais cômodo aceitar a mentira, frente a escancarar a verdade não é mesmo? Estar debaixo do mundo das imagens, fechando os olhos para o que é errado para “evitar problemas”, é hipocrisia. Ter medo de cobrar para não ser cobrado?

WFabricio

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Morte aos Zero Açucar

Em tempos de capitalismo avançado na sociedade, vale de tudo para superar a concorrência e alcançar patamares de lucro cada vez maiores.

A demanda por uma vida de comidas fáceis e rápidas de se preparar, mudou radicalmente a dieta da população dos paises ricos ou em desenvolvimento. E tem-se visto que, quanto mais capitalista e “evoluído” é o país, maior é o problema da obesidade na população.

A vida urbana solicita produtos industrializados e que carregam em sua composição uma gama enorme de substâncias químicas, como os conservantes. Sem falar no advento dos fast food’s, que se multiplicam pelas ruas.

Em contrapartida ao medo da obesidade (ironicamente, alguns mais espertos até temem as diversas doenças que esses alimentos podem causar) surgem os alimentos zero açúcar ou mesmo os ligths.

A Coca Cola tem a cara-de-pau de dizer que seu representante zero açúcar tem o mesmo sabor que o original. Sendo melhor ou pior no sabor, qualquer um de nós, estando isento de manipulação pela mídia do produto, percebe que os sabores são bem diferentes. Além disso o gosto do aspartame é algo que só deveria ser encarado pelos diabéticos, se muito. Não seja cobaia de um produto suspeito de ser altamente maléfico, que inclusive existem estudos que dizem ser cancerígeno. Pesquise e facilmente vai verificar esta afirmação.

ILUMINE SUA ESCURIDÃO: Não confie num produto duvidoso!

Posto isso, me vejo num mundo onde o objetivo deveria ser o de remodelar os hábitos alimentares, mas que acaba sendo o de manipular a população à “combater” um mal criado por ela mesma.

Abraço
Wendell Fabricio